quarta-feira, 20 de outubro de 2010
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!
Clarice Lispector
terça-feira, 31 de agosto de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Quando cresci?

Com a proximidade de minha data festiva, as lembranças começam a me visitar.
Em uma conversa distraída esse dias, lembrei de minha papua de papuada*, o quanto ela e minha mamadeira me ofereciam horas de prazer. Como era boa minha papua e como eu a perdia dentro de casa. Mas a minha heroína, alcunha MÃE, estava sempre apta a encontrá-la ou me fornecer outra.
Lembro também, da ânsia que tomava meu corpo na hora de limpar-me sozinha. Nossa!! Preferia sempre o grito: - Mãaaaeeeeeee, to pronta!
Sim, chamava a mãe, a tia, a prima...mas sozinha era vômito na certa.
Lembro também das palavras mais complicadas, difíceis, que tive que aprender - ons, remelho e amarron*.
Que saudosa infância!
Dos momentos compartilhados com meus irmãos, com meus pais e amigos. E o quanto minha inocência, conseguia transformar as coisas ruins em boas. Como a vez que meu pai se desequilibrou, caiu em cima do meu berço, quebrando algumas ripas de madeira cerradas por ele depois e eu feliz da vida que meu pai tinha feito uma portinha para eu entrar!
Eu e meu irmão mais velho cantando e pulando na cama da mãe - o Hino da Dona Irota*.
Ouviram das pitanga e bergamota
Eu vi a dona Irota virar cambota
Apesar da afronta a nosso Hino Nacional, eu achava o máximo. Meu irmão e sua "guitarra vassoura", eu e qualquer "vidro de perfume microfone", cantando, gritando e ao final claro, virávamos uma bela cambalhota na cama da mãe.
Depois, mais um membro chega a nossa família - minha maninha. Apostei uma bala e um 'chiclé' com o mano que seria uma menina. Aposta ganha, mas nunca quitada!! Acreditei que ela seria minha parceira, ledo engano, puxa-saco do mano.
Lembro com carinho das palavrinhas da Dede, anana, pauinha, viriga*... E de sua insistência em dizer que a mãe preferiva* eu...
Nesses anos passados, tão recentes na memória, fica o questionamento quando foi que cresci?
Quando foi que parei de brincar e brigar com meus irmãos?
Quando foi que deixei de caber no colo do pai e nos braços da mãe?
Quando foi que minha barbie voltou as caixas de brinquedos?
A verdade é que não me sinto crescida, claro que, em proporções físicas o crescimento é vísivel, assim como o amadurecimento de algumas ideias.
O que quero (e o que sinto) dizer, é que se eu quiser ainda posso recorrer aos braços de mamãe, tudo bem se quiser brincar e também gerar alguma discussão com meus irmãos. No entanto, não será mais como antes e é por isso que sinto que cresci...mas não sei quando.
*Dicionário Alinees e Dedees
Papua de papuada - Bico, chupeta (sim eu usava a expressnao para pedir meu bico. eu que inventei!)
Ons - Ônibus (Fiquei uma tarde treinando com uma amiga da minha mãe, até que finalmente abandonei, ou melhor, 'desci' do meu ons)
Remelho - Vermelho (eu conseguia a incrível façanha de falar verde e não dizer corretamente vermelho, coisas de criança)
Amarron - Marrom (ah essa é um clássico infantil)
Dona Irota - A vizinha mais velha da rua em que morávamos e que não gostava de crianças
Anana - Banana (primeira palavra da minha irmã sentada no balcão da venda)
Pauinha - Paulinha (chamando uma gurizanha que tava ssempre pela rua)
Viriga - Virilha (ela sentia muitas dores nessa região, principalmente se visse meu irmão chegar do futebol com dores, logo, ela também sentia!)
Preferiva - Preferia (ela tinha verbos próprios, preferiva, morriva...e assim ia)
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Vida de Foca - Alfaces, rúculas e afins
Onde muitas famílias tiram seu sustento do campo, logo, muitas pautas partem dessas pessoas - os agricultores.
Dia 25 de julho, comemora-se o Dia do Colono e Motorista e entre uma pauta e outra para o jornal semanal, sai para elaborar algumas para o Caderno Especial do Colono e Motorista.
Na primeira pauta, visitei um rapaz, de 24 anos, morador do interior de Sobradinho, cujo além de agricultor é tanoeiro, artesão, inventor...e por ai vai!
A propriedade é muito bonita e já da rua avistei inúmeros pés de bergamota.
- Vamos ter que levar umas. (Brinquei com o meu colega)
- Com certeza; disse ele
Conversamos, visitamos a propriedade, vimos suas criações. E na última 'escala', eis que avisto um moedor de cana-de-açúcar. Pergunto se também é sua invenção, ele afirma e questiona se gosto de cana.
A reposta, claro, foi afirmativa.
-Então leva um pedaço?
-Aceito, disse rindo
Mal sabia eu, que o pedaço em questão, media aproximadamente mais de 1,60m e depois de minha aceitação não poderia recusar.
Meu colega só deu uma espiada de canto de olho, provavelmente pensando em como 'guardar' meu presente dentro do carro.
Mas na saída teve mais, meu colega elogiou os pés de bergamota, e adivinhem; - Vocês querem umas??
Sim, aceitamos felizes e nos meus pés havia um mar de frutas alaranjadas, que emanavam um cheiro peculiar e indicavam toda a sua doçura. Comemos e comemos muitas!
Na volta, fomos a casa de uma senhora, que no momento em que chegamos colhia nozes.
Sim eu também ganhei nozes e experimentei a torta de banana e nozes que ela havia feito. Sem contar o vinho de sua propriedade. Não só tomei um cálice, como de brinde ganhei um litro.
Retornamos eu as bergamotas, a cana, as nozes e o vinho.
A receptividade aqui, além de agradar, enche também a barriga.
Em outra propriedade, em que o agricultor trabalha somente com insumos orgânicos, fomos agraciados primeiramente com os olhos.
Quem visita a propriedade, se deslumbra com a beleza e os cuidados com as hortaliças. Eis que entre o tira foto ali, pega aquele repolho, para ali no lado das alfaces, o proprietário colheu alguns pés...
Na hora de embora, veio a surpresa, ganhamos um repolho imenso, duas variedades de alface, um maço de rúcula, laranjas e bergamotas.
-Se é do gosto de vocês, podem levar. (disse cordialmente o produtor)
Agradeci perplexa com a quantidade e a beleza que continha aquelas sacolas.
Naquela noite, lá onde moro, teve alfaces, rúculas e afins...
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Dias Loucos
Na loucura dos meus dias
quero ser são, pra tornar-me louco
Onde lugar comum
é viajar nas ilusões de cada um;
Cair do abismo dos pensamentos
que até a lua chegam e voltam
Na certeza que o certo é relevante
num dia seguinte distante;
Quero ser orgulho pro meu pai
Amor pro meu amor
Servir a meu Senhor
Na loucura dos meus dias
vou conseguindo me fazer ver
Que eu preciso de alguém que me entenda e que eu consiga entender;
Olhar pra frente e fazer planos
deixar pra traz o que me magoou
me dê a mão venha comigo sempre me aceite simplesmente como eu sou
Quero ter orgulho do meu filho
E seguir o exemplo do meu pai
Ser amor só pro meu amor
Servir a meu Senhor
Numa mistura de loucura e lucidez
Vou viajando e me perdendo em ilusão
Será que esse momento é insensatez?
Uma overdese em meu coração