terça-feira, 31 de agosto de 2010

"Love is a losing game..."

Aline

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Quando cresci?


Com a proximidade de minha data festiva, as lembranças começam a me visitar.
Em uma conversa distraída esse dias, lembrei de minha papua de papuada*, o quanto ela e minha mamadeira me ofereciam horas de prazer. Como era boa minha papua e como eu a perdia dentro de casa. Mas a minha heroína, alcunha MÃE, estava sempre apta a encontrá-la ou me fornecer outra.
Lembro também, da ânsia que tomava meu corpo na hora de limpar-me sozinha. Nossa!! Preferia sempre o grito: - Mãaaaeeeeeee, to pronta!
Sim, chamava a mãe, a tia, a prima...mas sozinha era vômito na certa.
Lembro também das palavras mais complicadas, difíceis, que tive que aprender - ons, remelho e amarron*.
Que saudosa infância!
Dos momentos compartilhados com meus irmãos, com meus pais e amigos. E o quanto minha inocência, conseguia transformar as coisas ruins em boas. Como a vez que meu pai se desequilibrou, caiu em cima do meu berço, quebrando algumas ripas de madeira cerradas por ele depois e eu feliz da vida que meu pai tinha feito uma portinha para eu entrar!
Eu e meu irmão mais velho cantando e pulando na cama da mãe - o Hino da Dona Irota*.
Ouviram das pitanga e bergamota
Eu vi a dona Irota virar cambota
Apesar da afronta a nosso Hino Nacional, eu achava o máximo. Meu irmão e sua "guitarra vassoura", eu e qualquer "vidro de perfume microfone", cantando, gritando e ao final claro, virávamos uma bela cambalhota na cama da mãe.
Depois, mais um membro chega a nossa família - minha maninha. Apostei uma bala e um 'chiclé' com o mano que seria uma menina. Aposta ganha, mas nunca quitada!! Acreditei que ela seria minha parceira, ledo engano, puxa-saco do mano.
Lembro com carinho das palavrinhas da Dede, anana, pauinha, viriga*... E de sua insistência em dizer que a mãe preferiva* eu...
Nesses anos passados, tão recentes na memória, fica o questionamento quando foi que cresci?
Quando foi que parei de brincar e brigar com meus irmãos?
Quando foi que deixei de caber no colo do pai e nos braços da mãe?
Quando foi que minha barbie voltou as caixas de brinquedos?
A verdade é que não me sinto crescida, claro que, em proporções físicas o crescimento é vísivel, assim como o amadurecimento de algumas ideias.
O que quero (e o que sinto) dizer, é que se eu quiser ainda posso recorrer aos braços de mamãe, tudo bem se quiser brincar e também gerar alguma discussão com meus irmãos. No entanto, não será mais como antes e é por isso que sinto que cresci...mas não sei quando.

*Dicionário Alinees e Dedees

Papua de papuada - Bico, chupeta (sim eu usava a expressnao para pedir meu bico. eu que inventei!)

Ons - Ônibus (Fiquei uma tarde treinando com uma amiga da minha mãe, até que finalmente abandonei, ou melhor, 'desci' do meu ons)

Remelho - Vermelho (eu conseguia a incrível façanha de falar verde e não dizer corretamente vermelho, coisas de criança)

Amarron - Marrom (ah essa é um clássico infantil)

Dona Irota - A vizinha mais velha da rua em que morávamos e que não gostava de crianças

Anana - Banana (primeira palavra da minha irmã sentada no balcão da venda)

Pauinha - Paulinha (chamando uma gurizanha que tava ssempre pela rua)

Viriga - Virilha (ela sentia muitas dores nessa região, principalmente se visse meu irmão chegar do futebol com dores, logo, ela também sentia!)

Preferiva - Preferia (ela tinha verbos próprios, preferiva, morriva...e assim ia)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Vida de Foca - Alfaces, rúculas e afins

Bem, como dito anteriormente, trabalho em um jornal do interior.
Onde muitas famílias tiram seu sustento do campo, logo, muitas pautas partem dessas pessoas - os agricultores.
Dia 25 de julho, comemora-se o Dia do Colono e Motorista e entre uma pauta e outra para o jornal semanal, sai para elaborar algumas para o Caderno Especial do Colono e Motorista.
Na primeira pauta, visitei um rapaz, de 24 anos, morador do interior de Sobradinho, cujo além de agricultor é tanoeiro, artesão, inventor...e por ai vai!
A propriedade é muito bonita e já da rua avistei inúmeros pés de bergamota.
- Vamos ter que levar umas. (Brinquei com o meu colega)
- Com certeza; disse ele
Conversamos, visitamos a propriedade, vimos suas criações. E na última 'escala', eis que avisto um moedor de cana-de-açúcar. Pergunto se também é sua invenção, ele afirma e questiona se gosto de cana.
A reposta, claro, foi afirmativa.
-Então leva um pedaço?
-Aceito, disse rindo
Mal sabia eu, que o pedaço em questão, media aproximadamente mais de 1,60m e depois de minha aceitação não poderia recusar.
Meu colega só deu uma espiada de canto de olho, provavelmente pensando em como 'guardar' meu presente dentro do carro.
Mas na saída teve mais, meu colega elogiou os pés de bergamota, e adivinhem; - Vocês querem umas??
Sim, aceitamos felizes e nos meus pés havia um mar de frutas alaranjadas, que emanavam um cheiro peculiar e indicavam toda a sua doçura. Comemos e comemos muitas!
Na volta, fomos a casa de uma senhora, que no momento em que chegamos colhia nozes.
Sim eu também ganhei nozes e experimentei a torta de banana e nozes que ela havia feito. Sem contar o vinho de sua propriedade. Não só tomei um cálice, como de brinde ganhei um litro.
Retornamos eu as bergamotas, a cana, as nozes e o vinho.
A receptividade aqui, além de agradar, enche também a barriga.
Em outra propriedade, em que o agricultor trabalha somente com insumos orgânicos, fomos agraciados primeiramente com os olhos.
Quem visita a propriedade, se deslumbra com a beleza e os cuidados com as hortaliças. Eis que entre o tira foto ali, pega aquele repolho, para ali no lado das alfaces, o proprietário colheu alguns pés...
Na hora de embora, veio a surpresa, ganhamos um repolho imenso, duas variedades de alface, um maço de rúcula, laranjas e bergamotas.
-Se é do gosto de vocês, podem levar. (disse cordialmente o produtor)
Agradeci perplexa com a quantidade e a beleza que continha aquelas sacolas.
Naquela noite, lá onde moro, teve alfaces, rúculas e afins...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Dias Loucos

Nando Reis


Na loucura dos meus dias
quero ser são, pra tornar-me louco
Onde lugar comum
é viajar nas ilusões de cada um;
Cair do abismo dos pensamentos
que até a lua chegam e voltam
Na certeza que o certo é relevante
num dia seguinte distante;

Quero ser exemplo pro meu filho
Quero ser orgulho pro meu pai
Amor pro meu amor
Servir a meu Senhor

Na loucura dos meus dias
vou conseguindo me fazer ver
Que eu preciso de alguém que me entenda e que eu consiga entender;
Olhar pra frente e fazer planos
deixar pra traz o que me magoou
me dê a mão venha comigo sempre me aceite simplesmente como eu sou

Quero ter orgulho do meu filho
E seguir o exemplo do meu pai
Ser amor só pro meu amor
Servir a meu Senhor

Numa mistura de loucura e lucidez
Vou viajando e me perdendo em ilusão
Será que esse momento é insensatez?
Uma overdese em meu coração

terça-feira, 8 de junho de 2010

O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...

Mário Quintana

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Vida de Foca - Viajei com Madu

É difícil desfazer laços, tanto que, tenho retornado para casa todos os finais de semana.
Já relatei minha primeira experiência como jornalista profissional, agora relato meu primeiro retorno...
Viajei com Madu!
Sentei no primeiro banco e observei a entrada de todos os passageiros.
Quando a grande maioria já estava acomodada, vi uma senhora embarcar e sentar-se bem ao meu lado.
Logo atrás dela uma moça com uma criança no colo, era a Madu. Com um beijo na pequena, a moça se despediu e disse: - Vai com a vovó!
Percebi que Madu seria minha companheira de viagem. Madu me sorriu, sorri também. Perguntei seu nome e a resposta saiu meio confusa, entendi Manu, foi nesse momento, que vovó se comunicou comigo pela primeira vez. Mal sabia eu, que juntas iríamos compartilhar muito mais que a viagem.
Foi ela que toda atenciosa, explicou que era Madu, - "na verdade é Maria Eduarda, mas ela mesma que se apelidou de Madu, né 'fiinha'". Vó, neta e eu sorrimos e selamos nesse momento um estreito e recente laço de amizade.
A pequena conversou algumas poucas palavras e logo se pôs a dormir, aconchegada nos braços da vovó.
Iniciamos nosso diálogo, nos dirigíamos a Santa Cruz, mesmo destino, rumos diferentes.
Foi nesse momento qucompartilhei uma bela história de vida...
-Vou passar o fim de semana com a minha filha! Nem sempre ela consegue ir nos ver. Relatou minha parceira exatamente no momento em que seu olhar vagou, para um lugar que não pude compartilhar, mas certamante um passado nem tão distante.
-O que ela faz?
-Trabalha e ta encerrando os estudos. Trabalha no hospital, as vezes ta de plantão.
-Sei...
Decidi nesse momento deixar a vó de Madu falar, observei que era isso que ela queria. Me contar sua história, para que eu pudesse ouvir e saber mais sobre ela e sua vida.

"Tive 8 filhos, eles já tavam criados, quando decidi pegar a mãe da Madu. Tinha que ver, era um ratinho, pequeninha, e essa aqui(Madu), nasceu igualzinha. A gente achava que ela nem ia se criar. a guria não queria mamar de jeito nenhum. Mas sabe o que era? Ela gostava de mama morninho...risos
Sempre foi uma espoletinha, olho pra essa aqui e vejo ela. Meus outros filhos me ajudaram muito, eu nunca sai de Sobradinho, vivi minha vida toda aqui. A minha filha tentou estudar em Santa Cruz e trabalhar aqui, mas não deu. Ela se cansava muito e o dinheiro era pouco. Conseguiu uma coisa melhor, mas não tinha como levar a Madu junto, ai ela ficou comigo. É minha companheira, alegra a minha casa, me ajuda e tudo.
Mas eu não tenho mais pique, sabe?! Esses dias cai e quebrei o braço, nem consigo 'garrar' ela no colo direito. Ela não incomoda nada, nada. Tenho 79 anos, mas faço tudo na minha casa".
Madu acordou e trocou umas palavras sobre o movimento na estrada. Vovó deu bolachas para Madu, aguinha, acariciou e era retribuída com carinhos. Eram cúmplices.
Chegamos. Com sacolas e mais a criança, ofereci ajuda.
-Vem com a tia Madu?
O sim veio na forma de sorriso e balanço positivo da cabeça.
Desci com Madu nos braços. O Kiko já me aguardava e ficou surpreso ao se deparar comigo e uma criança.
Aguardei até a vó se ajeitar e pegar suas coisas. Madu no meu colo observava e apontava coisas na rodoviária.
Na despedida, ganhei um beijo da pequenina e um aceno daquela mãozinha miudinha.
A vó me agradeceu e despediu-se com um até logo, e a promessa de nos reencontrarmos em Sobradinho.

Não a vi mais...de Madu carrego apenas a lembrança!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Domingo é cinza
Segunda é triste